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Mostrando postagens de julho, 2015

você foi e levou os ouvidos

às vezes eu me pego sozinha queria dizer o quanto eu não concordo com esta postura de julgar sem conhecer com esta mania de inferiorizar o outro queria dizer o quanto eu estou explodindo porque o mundo é maior do que eu pensava é mais complexo as pessoas também são más e eu cresci cresci e não há ninguém ao meu redor que me perceba que entenda as minhas frustrações, as minhas rebeldias não há ouvidos para a minha língua eu sinto a sua falta Evelyn Cardoso
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fim

eu não consigo mais dizer que amo você porque eu te amo demais eu te amo inteira cada pedaço cada brecha cada falha cada acerto eu te amo mais do que sou capaz de falar de escrever de demonstrar no entanto, eu não consigo mais dizer porque a gente é final agora e o meu amor nunca saiu do começo Evelyn Cardoso

alegoria da caixa

eu me sinto perdida quando encaro o céu e o azul de um mundo inteiro de fome de dinheiro de poder de guerras me encara de volta eu me sinto perdida quando olho ao redor e vejo o previsível o premeditado máquinas de carne e osso que não se importam com o que há do outro lado das paredes que nos cercam que não se importam com o que há acima do teto que nos cobre talvez sejamos alimentados toda manhã com falsas esperanças com falsas promessas com falsos sonhos talvez moremos numa caixa de mentiras talvez eu jamais tenha vivido de verdade Evelyn Cardoso
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eu

eu sou um poema dos que não têm rima dos que perdem sentido depois do sexto verso dos que falam do seu ódio da sua raiva, dos seus amores dos quais você não lembra o que leu quando chega ao fim porque havia confusão demais no meio do caminho eu sou excesso muito tudo poesia Evelyn Cardoso

Eliana + Leandra

tão vulnerável quanto eu passou a noite chorando por não ter controle amava mas não sabia que o amor precisa florescer pra ser visto eu só enxergava botões pensava em indiferença porque não ousava pensar que havia ódio nela por vezes eu quis gritar por vezes eu quis ir embora porque ela tinha crises de destruição destruía a si mesma atacava furiosamente quem se atrevesse a salvá-la por anos senti raiva por anos travamos uma guerra sem vencedores mas eu me venci eu disse pela primeira vez desde que ela me feriu que eu a amo que eu sou capaz de amá-la de todas as formas senti o perdão crescer em mim desmoronei quando ela me abraçou e finalmente percebi que eu também havia me tornado um botão florescemos Evelyn Cardoso

Rita de Cássia

às vezes eu te olho e o tempo simplesmente para. a sua imagem fica congelada na minha cabeça e uma das piores consequências do amor vem à tona: o medo da perda. eu te vejo e enxergo as suas mãos calejadas, os seus olhos que ainda brilham, o seu sorriso enrugado e sincero, as suas pernas que sustentam o peso do mundo e eu não consigo deixar de pensar no quanto eu te amo, no quanto o meu amor por você é imensurável. eu respiro fundo e sinto uma vontade absurda de chorar porque eu sei que a cada segundo a vida dá continuidade ao seu ciclo e nós estamos morrendo. eu não suporto a ideia de um dia não poder te olhar mais. eu não suporto a ideia de não poder mais deitar no seu colo, beijar os seus calos e fazer você se sentir amada. eu tenho medo da minha vida sem você. eu tenho medo de perder o seu abraço. eu tenho medo de não poder dizer que eu te amo. eu tenho medo de não conseguir retribuir à altura tudo o que você fez por mim. porque você é a melhor pessoa que eu conheço. porque ...

sua alma

eu vou cuidar de você como uma leoa, devorando e rosnando pra quem tentar te diminuir, pra quem disser que você não tem valor. você é tão grande, menina. você é tão valiosa. mas não vou impedir que você chore, porque chorar rega a alma e uma alma regada cresce. não que te falte maturidade, é que crescer é lindo! aprimorar as próprias ideias, aprimorar o próprio ser... isso é crescer, menina. contudo, eu prometo estar ao seu lado em cada lágrima, em todo momento que seu coração ficar comprimido e o seu peito arder. eu entendo a sua fome. eu entendo a sua sede. eu entendo o seu vício de tragar o mundo pra tornar mais suportável o pesar que é viver num lugar cruel, em meio a um preconceito sem fim, em meio a uma ganância sem fim. menina, eu entendo que os seus joelhos estão ralados e sangrando. eu também caí na estrada. eu caí de cara no chão e cuspi os dentes, cuspi todas as minhas dores porque cultivar dor faz florescer podridão. eu vou fazer curativos nos seus joelhos. eu vou dizer o q...

assassinado

sem pai nem mãe órfão sem casa nem escola abandonado com fome e ferido ferido de tudo de corpo porque o chão é duro e concorrido demais porque apanha por ser negro e menino de rua de coração porque ninguém presta atenção nas suas lágrimas porque dizem que ele não tem valor porque à noite ele tem medo porque durante o dia lhe viram a cara saem correndo pivete! o estômago também está ferido precisa de pão precisa de água pegou o pão de alguém pegou a água de alguém precisava de mais pegou a bolsa pegou o carro pegou os móveis de uma residência pegou uma vida foi enjaulado assassino! porque escolheu ser mau! porque nasceu marginal! pobre negro faminto sedento violentado negligenciado excluído só mais uma vítima Evelyn Cardoso

é melhor voltar a dormir

acordei com uma vontade de mudar o mundo daquelas vontades que se distanciam da razão eu queria gritar no seu ouvido queria dar uns tapas na sua cara puxar o seu cabelo fazer você entender que ele (o mundo) é complexo demais para ser visto sob uma única perspectiva eu queria fazer você sair da sua zona de conforto na marra com ou sem a sua permissão queria te trazer para o meu lado queria que você compreendesse o que para mim é tão simples e que depois disso você saísse gritando no ouvido dos outros dando tapa na cara dos outros puxando o cabelo dos outros mostrando para os outros que há mais de um aspecto a ser analisado eu queria que você sentisse vontade de mudar o mundo também desgovernado Evelyn Cardoso

game over

às vezes eu me sinto pequena como se as dimensões do mundo tivessem aumentado enquanto eu dormia como se a ordem natural das coisas tivesse tomado um novo rumo e eu simplesmente não pude acompanhar por estar dormindo como se eu fosse a única que dormisse em meio à guerra de todos nós às vezes eu sinto uma dor sem porquê como se a vida fosse feita de partes independentes e eu todos nós agíssemos de modo a juntar essas partes procurando um sentido para a nossa dor para o nosso desespero para a nossa vontade de morrer embora saibamos que a morte é definitiva a morte é final mas a agonia é agora a agonia me faz sentir pequena e doendo nas quatro estações porque a vida não tem lógica nenhuma porque o carma é uma invenção porque todas as lágrimas são inocentes porque eu não quero morrer mesmo que às vezes deseje que este mar de confusão acabe que a fome acabe que o frio acabe que a estrada acabe que o jogo acabe Evelyn Cardoso