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Mostrando postagens de outubro, 2018

nômade

você me olhou e eu senti o meu corpo inteiro estremecer. seu olhar foi como um soco que me lembrou de como eu gosto do seu meio sorriso e  de quando a gente começa a discutir por coisas bobas só por discutir, só pra zombar da cara do outro e cair na gargalhada depois.  eu lembrei que você foi o primeiro a me despir de corpo e de alma também.  você sempre me enxergou. você sempre viu o meu medo de viver nesse mundo louco onde as pessoas conseguem ser mais loucas ainda. você não se importou com a minha loucura.  você me abraçou. você me deu um amor livre de cobrança e de culpa e de porquê.  você me amou, porque me amou. eu te amei, porque te amei. foi linda a eternidade do que a gente sentiu e deixou se perder por aí. perdido, sim. porque o que é eterno não tem início nem fim. nós simplesmente encontramos algo um no outro e sentimos até não podermos mais. pegamos aquele sentimento e deixamos que morasse em nós até que fosse a hora de partir.  talvez ...

24/09/2017

Eu só queria que você me amasse. A sua recusa dói em mim como um soco e por mais que eu tente ser madura e realista, porque a culpa não é sua, muito menos minha, eu sinto raiva. Eu sinto muita raiva por não despertar amor, nem mesmo uma faísca de atração em você. É injusto e cruel porque eu me descontrolo toda vez que te olho. Você é lindo... é tão lindo que me deixa sem ar. Antes fosse a sua barba por fazer ou a sua cara de zangado. Antes fosse o seu sotaque capixaba. É a sua alma, sabe? É o jeito como você enxerga o mundo, como você respeita as pessoas e a si mesmo, como você abraça a tudo e a todos e ainda consegue fazer isso sendo o ser humano mais tímido que existe. Eu fico feliz por ter vencido essa barreira e ter me tornado sua amiga, por ter conhecido todas as suas qualidades e os seus defeitos. Eu sou grata por te conhecer, mas eu não queria te amar desse jeito. Eu não queria te admirar tanto e pensar tanto em você. Eu não queria. Eu só queria realmente não querer. Evelyn ...

Primavera

Pela primeira vez eu me peguei sem saber o que sentir. Caminhava por entre as folhas secas do outono com o coração sereno, sem peso, como se a bagunça e o caos de antes nunca tivessem existido. Caminhei como se o amor que eu senti por ele não tivesse se instalado em mim. Foi uma sensação nova... uma constatação de que eu estou bem, de que eu finalmente estou bem. Como se eu não tivesse me sentido insuficiente. Como se a minha autoestima não tivesse sido tão abalada. Os carros passavam e o vento batia no meu rosto e a sensação foi de liberdade. Eu senti a liberdade de ter o coração limpo da culpa que eu sentia por não ter despertado nem um pingo de amor nele. Aquele cara apareceu quando eu menos esperava e foi como um furacão que devastou tudo. No início eu gostei, porque não pensei que poderia ser invadida assim de novo por alguém. Foi grandioso demais. Mais do que eu poderia aguentar e a única coisa que eu queria era que ele me olhasse de volta. Um olhar de admiração e quem sabe de de...

não é uma receita de bolo

eu tenho lido muitos livros. tenho ouvido músicas novas, um pouco mais animadas que de costume. tenho pesquisado mais sobre política e me envolvido mais com questões sociais. tenho me cercado de pessoas inteligentes e estou me referindo à capacidade crítica. eu tenho tentado de todas as formas me tornar alguém do qual eu sinta orgulho. eu estou tentando construir um amor próprio que vai além da definição dos meus cachos, do tamanho dos meus seios, do tom uniforme da minha pele. estou construindo um amor incapaz de ruir com o tempo. estou tentando ser forte. mesmo que às vezes eu me olhe no espelho e sinta que tudo isso é inútil, que eu sou insignificante por não me parecer com. eu nunca me senti bonita. eu sempre fui a engraçada, a legal, aquela que levanta o astral de todo mundo, mas nunca fui bonita. eu nunca fui escolhida. eu nunca fui o grande amor declarado da vida de ninguém. por anos isso me destruiu. eu dei meu primeiro beijo com 18 anos de idade. não por  achar que esperar...