não é uma receita de bolo
eu tenho lido muitos livros. tenho ouvido músicas novas, um pouco mais animadas que de costume. tenho pesquisado mais sobre política e me envolvido mais com questões sociais. tenho me cercado de pessoas inteligentes e estou me referindo à capacidade crítica. eu tenho tentado de todas as formas me tornar alguém do qual eu sinta orgulho. eu estou tentando construir um amor próprio que vai além da definição dos meus cachos, do tamanho dos meus seios, do tom uniforme da minha pele. estou construindo um amor incapaz de ruir com o tempo. estou tentando ser forte. mesmo que às vezes eu me olhe no espelho e sinta que tudo isso é inútil, que eu sou insignificante por não me parecer com. eu nunca me senti bonita. eu sempre fui a engraçada, a legal, aquela que levanta o astral de todo mundo, mas nunca fui bonita. eu nunca fui escolhida. eu nunca fui o grande amor declarado da vida de ninguém. por anos isso me destruiu. eu dei meu primeiro beijo com 18 anos de idade. não por achar que esperar era preciso. não por achar que isso era um marco e que tinha que ser com alguém que eu realmente gostasse. mas porque eu não me sentia bonita o suficiente. porque eu era magra demais, tinha dentes tortos, meu cabelo não era liso e que garoto iria me querer com peitos pequenos? eu me odiei por anos e não posso dizer que me amo completamente agora. mas eu tenho tentado. tenho tentado me amar não só pelo que eu aparento mas pelo que eu represento, pelo que eu busco, por todas as coisas que fazem de mim alguém com opinião, com desejos, com sonhos.
a autoestima gira em torno de como a gente se enxerga. em todos os aspectos.
e eu tenho tentado
de verdade
simplesmente me enxergar.
Evelyn Cardoso
a autoestima gira em torno de como a gente se enxerga. em todos os aspectos.
e eu tenho tentado
de verdade
simplesmente me enxergar.
Evelyn Cardoso
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