é preciso começar a correr antes que a corrida acabe

Eu sou finita, assim como você. A finitude esmaga meu peito de um jeito cruel. Eu sinto a angústia de todos os que viveram antes de mim e dos que viverão depois.

Como é possível a carne apodrecer e levar consigo tudo o que a gente construiu nesse tempo? Como é possível o envelhecer dos corpos enquanto o que sentir só cresce e se transforma e agrega?

Todos os dias eu sou uma versão melhor de mim mesma e enxergo o mundo de uma maneira diferente. Eu já tive a rebeldia dos que não entendem porque não querem entender. Hoje eu sou tomada pelo mais profundo e incrível amor. Pelos outros, em tudo o que eu faço, em todas as mínimas coisas ao meu redor. Isso fez o meu espírito encontrar descanso e o consolo de saber que nascemos por algum motivo.

O amor empodera e dá porquê. Como aceitar que todo esse poder seja finito?

Eu lembro que amei meu bisavô como nunca enquanto o observava pensativo em sua cadeira de balanço. Eu nunca tinha percebido que o amava tanto. E doeu. Ele morreu logo depois. Doeu mais ainda. Carrego comigo a cicatriz.

Quando eu vi as linhas de expressão no rosto da minha avó e as suas mãos calejadas eu quis chorar, porque eu a amava demais. Eu queria cuidar dela. Eu queria torná-la eterna.

A percepção da finitude é um soco no estômago. É angustiante levar a vida sabendo que cada olhar, cada toque, cada abraço pode virar somente uma lembrança a qualquer momento.

A-qualquer-momento.

O amor é uma corrida contra o tempo.
E ele sempre ganha.

(eu queria que você me amasse antes do fim de tudo
porque eu amei você desde o começo)

Evelyn Cardoso

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