Eu estou triste. Triste pelas dúvidas que me corroem. Triste pelo hoje, que como o ontem, acabará sem porquê. Estou triste pelo fim da vida. E mais ainda pela dúvida sobre como ela começou. Triste por todos os olhos que se fecharam nesta manhã e não se abrirão mais. Triste pelas lágrimas que não são minhas, mas choram todos os dias por mim. Choram pela minha descrença. No quê? Em mim mesma, talvez. Lágrimas que não me explicam por que o mundo é cheio de chegadas e partidas. Lágrimas que não choram toda a tristeza que aqui, dentro de todos nós e em cada canto, existe. Porque se assim fosse, se toda dor fosse chorada e aliviada, diversos fins seriam evitados. Fim da esperança. Fim da fé. Fim da coragem. Fim da incerteza sobre a humanidade, uma humanidade verdadeiramente humana. Cadê o sorrido? Por que morremos tanto por aí? Eu não aguento mais passar por muros manchados de saudade. Eu não aguento mais apanhar do meu travesseiro em todo começo do dia quando desperto de uma realidade que não existe. Eu estou triste. Triste para continuar. Triste para me entristecer. Triste a ponto de me encolher sob as cobertas. E ver a vida passar... impiedosa. 

Evelyn Cardoso

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