Você, ele, eu.

Constatei o tamanho da minha bagunça: você.

Constatei o tamanho da minha bagunça: ele e os flashes que me levam a ele.

As constelações não me deixam mentir, sou estrela. Sou estrela em meio ao infinito dos beijos que não demos e das palavras que não dissemos, as mais verdadeiras. Sou mentira entre constelações de verdade, à beira de uma supernova, à beira de viver minha liberdade por você. Mas eu ainda lembro dos olhos dele. Eu ainda lembro daquele infinito que coube no meu e me salvou de mim. Ele me salvou das minhas erupções caóticas e suportou a fúria do meu peito descrente e ferido. Nós, ele e eu, ainda nos encontramos em sonhos e nos amamos pelo passado amarelado em que fugimos de nós mesmos um para o outro e ali vivemos vidas inteiras. O meu amor é dele. O meu amor é seu. E embora eu viva de lembranças, de um fim que eu não reconheço porque dói, porque me faz recordar o que eu fui, não consigo explodir. Eu não consigo dizer que te amo, porque isso significaria o adeus que eu jamais consegui dar, isso significaria seguir em frente. E eu fico. Eu sempre fico quando ele me olha e nós dois voltamos juntos no tempo.

Constatei o tamanho da minha bagunça: eu.

Evelyn Cardoso

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