Quando os seus braços deixaram de rodear meu corpo, um terremoto me fez ruir. Os destroços ficaram como lápide do fim. Fim, sim. Fim de nós dois, aquele cujo adeus não existe, cujas bocas se calam, cujo abraço consome e devora. Olhei em seus olhos pela última vez antes da próxima, em que tudo é incerto. Talvez a minha alma envelheça e eu saiba guardar o seu amor onde mora o esquecimento, onde as lembranças não doem mais. Olhei em seus olhos e lembrei o quanto eu não quero esquecê-los, o quanto eu te amei a cada segundo e em todo segundo desde o primeiro em que te vi chegar e se instalar em todo canto. Eu chorei enquanto caminhava pela rua porque nunca pensei que o fim fosse assim: um abraço e um olhar no meio da noite e só. Eu quis voltar e te abraçar de novo. Eu quis dizer que da próxima vez em que nos víssemos eu ainda seria sua se você quisesse. Eu quis te contar que uma parte minha estava morta junto com os sonhos que eu tive. Eu quis te deixar ir pra ver você voltar. Mas você não volta. Eu também não voltei. Acabou.
Evelyn Cardoso
Evelyn Cardoso
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