i'm nothing to you
o amor que eu sinto por você não dói. nunca doeu. o que eu sinto por
você é como uma semente de esperança que brotou no meu peito depois de muito
tempo de reclusão. eu achei que não seria capaz de amar ninguém de novo e acho que isso
é normal após uma grande decepção. então você veio: despojado, barba por fazer,
timbre diferente, alto mas nem um pouco intimidador. você me conquistou por fora à
primeira vista e à medida que eu fui te conhecendo eu me apaixonei tanto tanto
tanto. você é tão lindo e sensível de um jeito que eu queria passar horas e
horas conversando contigo sobre o mundo, sobre sentimentos, sobre livros e
pessoas e amor. principalmente sobre o amor que eu sinto por você todos os dias. você me faz ser uma pessoa melhor e faz com que eu veja mais beleza e ternura e bondade nas coisas, porque você cresceu em mim de
uma forma descontrolada e forte e eu não sei mais como te tirar daqui. eu não
quero te tirar daqui.
mas dói. não o amor que eu sinto por você porque isso nunca doeu.
o que dói é a rejeição. dói não despertar uma faísca sequer de amor-paixão-desejo em você quando você me incendeia sempre que chega perto de mim. eu
queria que você se perdesse nos meus olhos da mesma forma que eu me perco nos
seus e que suspirasse pensando em mim, morrendo de saudade e quisesse me
contar cada parte, cada partezinha do seu dia. eu queria ser amor para você. amor carnal-espiritual-romântico.
o que dói em mim é não ser nada,
não ter nada além do que eu sinto
tão grande
tão fundo
tão intenso
e mesmo assim não ser suficiente.
não ter nada além do que eu sinto
tão grande
tão fundo
tão intenso
e mesmo assim não ser suficiente.
Evelyn Cardoso
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